Vem ser a Minha luz! Vejo agora que tem sido uma história de luz. Há frestas e frinchas por todo o lado. Um caminho feito de luzes e sombras, estrelas, cometas e abismos celestiais. Por todo o lado pedaços de estrelas a fumegar como lava incandescente caída sobre a terra húmida. Por eso canto al día y a la luna, / al mar, al tiempo, a todos los planetas, / a tu voz diurna y a tu piel nocturna. És a minha luz, a mão que me guia, sinto-o, desde sempre. Antes de te encontrar não existia, era dente-de-leão à espera do sopro, o caos esperando a ordem. Enquanto não há amanhã, Ilumina-me, Ilumina-me. Em todas as noites do mundo, quando fecho os olhos tenho-te só a ti. Só a ti. És a candeia que me alumia os passos, a chama que dá luz e cor aos sonhos – visitas-me tantas tantas vezes! Que cavalos são aqueles que fazem sombra no mar? És a força criadora de toda a beleza do mundo! Vê como as sereias se calam à tua passagem e se enrolam nas algas, vergadas e humilhadas: tu brilhas mais do que a luz! Tiene en ti cuna el sol y en ti sepulcro / y en ti santuário. Sempre que o sol me queima na pele sinto-te comigo. No teu calor me aninho quando a escuridão me cobre e o frio me entra nos ossos. Oh I'm scared of the middle place / Between light and nowhere / I don't want to be the one / Left in there, left in there. E quando os soluços me tiram a alma, não há maior consolo do que sentir-te perto. Mesmo quando longe, mesmo quando os silêncios me ferem como lâminas, estás sempre comigo, em mim. Again the sun was never called / And darkness spreads over the snow (...) I'm awake and feel the ache / But I wish I'd see a field below. Por vezes embrenho-me na escuridão, o teu lado negro e tenebroso. Nunca lá encontrei o medo, mas a beleza da noite. O conforto aveludado das tuas falhas faz-me sorrir indulgentemente. Sempre. E apenas ouves o vento / E apenas ouves o mar (...) Ao menos ouves o vento / Ao menos ouves o mar! Se te sinto triste – sinto-te tantas e tantas vezes, e tão bem… – é como se caísse no fundo de um poço escuro e frio. Não há maior dor: as entranhas sangram-me e gritam em fogo! Definir-se e arder, isso é amar. Mas o teu fogo renova-me sempre. Nunca houve mais belo fogo do que este em que renascemos a todas, todas as horas. Seremos esta noche todo el día (...) Ámame sin luz. Sabes, contigo sou melhor. Tu cultivas o melhor de mim. Sou a tua obra, sempre por fazer. Serei como os girassóis. E tu a minha eterna luz. Nunca os meus olhos se cansam de te olhar. És inimitável. Nunca te tenho de mais (hoje, sei-o). Não lhe chamava amor, mas percebia que se virara inteiramente para ele, como há flores que se viram para o sol e mais não fazem do que o acompanhar. Sigo-te sempre, como a lua segue o sol. Quero nascer do outro lado do mundo! Or maybe in the sunshine / I'll always be there. Crê que nunca te abandono. Estou em tudo o que te toca e acaricia. Sente-me no vento e na chuva. Creio que o Amor tem asas de ouro. És a fuga do tempo: junto a ti, a eternidade é um segundo. Já olhei para ti enquanto dormias. Compreendo que Deus não se canse de fazê-lo. Dizem-me que o tempo passa: passará? Nunca o chão foi tão pouco. Nunca foi tão longe. És Yakamoz, "o reflexo da lua sobre a água": gosto desta palavra: haverá alguma que te possa dizer, por inteiro? É absurdo que já anoiteça, quando eu ainda precisava da luz do dia…
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segunda-feira, 8 de setembro de 2008
Luzes
Vem ser a Minha luz! Vejo agora que tem sido uma história de luz. Há frestas e frinchas por todo o lado. Um caminho feito de luzes e sombras, estrelas, cometas e abismos celestiais. Por todo o lado pedaços de estrelas a fumegar como lava incandescente caída sobre a terra húmida. Por eso canto al día y a la luna, / al mar, al tiempo, a todos los planetas, / a tu voz diurna y a tu piel nocturna. És a minha luz, a mão que me guia, sinto-o, desde sempre. Antes de te encontrar não existia, era dente-de-leão à espera do sopro, o caos esperando a ordem. Enquanto não há amanhã, Ilumina-me, Ilumina-me. Em todas as noites do mundo, quando fecho os olhos tenho-te só a ti. Só a ti. És a candeia que me alumia os passos, a chama que dá luz e cor aos sonhos – visitas-me tantas tantas vezes! Que cavalos são aqueles que fazem sombra no mar? És a força criadora de toda a beleza do mundo! Vê como as sereias se calam à tua passagem e se enrolam nas algas, vergadas e humilhadas: tu brilhas mais do que a luz! Tiene en ti cuna el sol y en ti sepulcro / y en ti santuário. Sempre que o sol me queima na pele sinto-te comigo. No teu calor me aninho quando a escuridão me cobre e o frio me entra nos ossos. Oh I'm scared of the middle place / Between light and nowhere / I don't want to be the one / Left in there, left in there. E quando os soluços me tiram a alma, não há maior consolo do que sentir-te perto. Mesmo quando longe, mesmo quando os silêncios me ferem como lâminas, estás sempre comigo, em mim. Again the sun was never called / And darkness spreads over the snow (...) I'm awake and feel the ache / But I wish I'd see a field below. Por vezes embrenho-me na escuridão, o teu lado negro e tenebroso. Nunca lá encontrei o medo, mas a beleza da noite. O conforto aveludado das tuas falhas faz-me sorrir indulgentemente. Sempre. E apenas ouves o vento / E apenas ouves o mar (...) Ao menos ouves o vento / Ao menos ouves o mar! Se te sinto triste – sinto-te tantas e tantas vezes, e tão bem… – é como se caísse no fundo de um poço escuro e frio. Não há maior dor: as entranhas sangram-me e gritam em fogo! Definir-se e arder, isso é amar. Mas o teu fogo renova-me sempre. Nunca houve mais belo fogo do que este em que renascemos a todas, todas as horas. Seremos esta noche todo el día (...) Ámame sin luz. Sabes, contigo sou melhor. Tu cultivas o melhor de mim. Sou a tua obra, sempre por fazer. Serei como os girassóis. E tu a minha eterna luz. Nunca os meus olhos se cansam de te olhar. És inimitável. Nunca te tenho de mais (hoje, sei-o). Não lhe chamava amor, mas percebia que se virara inteiramente para ele, como há flores que se viram para o sol e mais não fazem do que o acompanhar. Sigo-te sempre, como a lua segue o sol. Quero nascer do outro lado do mundo! Or maybe in the sunshine / I'll always be there. Crê que nunca te abandono. Estou em tudo o que te toca e acaricia. Sente-me no vento e na chuva. Creio que o Amor tem asas de ouro. És a fuga do tempo: junto a ti, a eternidade é um segundo. Já olhei para ti enquanto dormias. Compreendo que Deus não se canse de fazê-lo. Dizem-me que o tempo passa: passará? Nunca o chão foi tão pouco. Nunca foi tão longe. És Yakamoz, "o reflexo da lua sobre a água": gosto desta palavra: haverá alguma que te possa dizer, por inteiro? É absurdo que já anoiteça, quando eu ainda precisava da luz do dia… quarta-feira, 3 de setembro de 2008
Parrra Ta-Ta Ta-Ta Ta-Ta Ta-Ta Tan-Tan

Vida intensa e breve, pensou a lebre, correndo sobre as ervas do mundo.
José Agostinho Baptista
… o começo, começa a começar a repetir…
… e a tropeçar, e a rebolar pelas ervas acima e abaixo, pelas letras adentro e afora, rodeando-as, apalpando-as, pesando o seu silêncio e o seu sibilar…
… a cena conta-se facilmente: uma fita encarnada (encarnada, porque inauguração que se preze tem sempre fita encarnada!), com a banda empoleirada no coreto (verde, gosto mais dos verdes) a tocar afincadamente, enquanto o Verão corre ainda na brisa da tarde, e os meninos jogam às escondidas nos recantos, e se lambuzam nos chupas cobertos de pó e nos gelados a desprenderem-se dos dedos como cristais. Toda a gente em fato domingueiro, apertado com os sapatos à dentada aos joanetes (porque é que ninguém nunca se lembra de usar os belos dos sapatos de cerimónia, antes da dita cuja?!), os sorrisos enlevados, e já aliviados por ISTO não ser um daqueles discursos intermináveis de político de província, largamente auto-elogioso e vagamente saloio, com infinitas referências à “modernidade”, ao “progresso” e ao “futuro”…
- Pois então, Minhas Senhoras e Meus Senhores, Damas e Cavalheiros, Excelências e “Discências”… Está inaugurado este “caderno digital” (nada como o bom e velho português para chamar as coisas pelos nomes)!
… começa a correria… e há tanta erva pela frente…
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