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terça-feira, 30 de junho de 2009

Lux







A luz é o génio do fogo.




Novalis










©
Tibetan Prayer Flags

terça-feira, 24 de março de 2009

sábado, 21 de fevereiro de 2009

Sopro

© Coucelo

Vejo-te chegar como a gazela vê chegar o incêndio.
Tua língua rasga o torpor das savanas austrais,
é raio rasgando-me a pele e a sede.
Cuidadosa e lentamente, aqui e acolá,
sopras pequenos fogachos, delícias de pirómano
que ardem devagar devagarinho na carne toda
em sulcos, lentamente, por baixo e por dentro.


Vens, como uma trovoada de chamas
inundar-me de ti, afogar-me na tua boca,
e divertes-te a saltar de charco em charco
semeando pequenos peixes verdes e azuis
como berlindes jogados e esquecidos,
à medida que o fogo se vai consumindo
e a cinza é toda de lava fumegante.


Do teu orvalho despontam verdes raízes,
todos os meus músculos de relva fresca,
um tapete de flores semeado a olho
mil cores de mil feitios e mil cheiros…

Um milagre recebido de joelhos e olhos rasos,
a explosão primordial toda fechada num casulo!


E depois, deitas-te a meu lado,
minhas mãos exaustas, suadas,
nas tuas mãos exaustas, suadas,
a pele toda ocre, o cheiro a terra mexida.
Nos teus olhos de amêndoas da lua
me perco, me banho, me purifico.
Como o dente-de-leão despedaço-me ao vento.

segunda-feira, 29 de dezembro de 2008

sábado, 27 de dezembro de 2008

Barrela

Amor e ódio antigos ao lume novo caíram.
Um lento, o outro não,
em cinza e pó se fizeram.

Da cinza se fez a barrela
e o fogo tudo lavou.

A memória da luz quedou-se
num estendal tocado pelo vento
como lençol batido contra o rio.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Sinai

Ardo todo luzente
Ardo como a sarça do Sinai.
Quem ma ateou?
Tu com um fósforo descuidado
Tu com um fósforo apagado.