Há gente que não devia morrer. Devia haver uma quota (há-as para tudo e para todos) de gente a quem fosse permitido (e fosse mesmo exigido!) permanecer; com vida; com coragem; com saúde; com determinação. Gente que é grande demais para voltar, simplesmente, ao pó. Gente que é a argamassa da eternidade e da memória.
Maria Estefânia Anacoreta.
Sem mais, o seu nome. O nome para a eternidade. O nome dado à memória. De todos os que teve a graça de tocar e de todos os que, lembrando-a, a querem honrar e homenagear. A querem guardar. Aqui vos deixo um exemplo de vida. Tão só: um exemplo (sem adjectivos). Uma Senhora. Uma Grande Senhora! A voz da saudade.
Muita gente tem andado à toa com a crescente-e-não-tão-recente crise financeira mundial (coisa em que nós, portugueses, podemos dar formação ao mundo visto que desde El-Rei D. Manuel I que a coisa tem habitado por cá com impressionante à vontade), e principalmente, com os termos com os quais a coisa é descrita: ele é desde a "crise do supprime americano" até àquilo a que chamam como "investimentos tóxicos", et cetera e et cetera... Ora os nossos amigos britânicos, aqueles com quem nos aliámos há mais tempo do que nos lembramos, aqueles contra os canhões de quem deveremos marchar - os grandessíssimos ladrões do nosso maravilhoso mapa cor-de-rosa (e depois o lobby gay só agora é que se faz notar... pois, pois...) -, esses mesmos, criaram uma simples explicação em oito minutos e quarenta e um segundos para aquilo que muita gente ao fim de meses ainda não percebeu muito bem (e a julgar pelas recentes medidas orçamentais do nosso mui alto e glorioso governo, e ao seu "fundo-de-arrendamento-nacionalizo-te-a-casa-para-aprenderes-a-pagar-as-prestações", também por lá a coisa ainda não foi muito bem apreendida...). Admirável! Admirável!
Deve ser por estas e por outras que todos nos lembramos de uma bela cantiga-hino, comum nos british films relativos ao período da 2ª Guerra Mundial, e normalmente cantada já com alguns litros de sangue no gin tónico: "The nations, not so blest as thee, / Must, in their turns, to tyrants fall; / While thou shalt flourish great and free, / The dread and envy of them all. / Rule, Britannia! rule the waves: / Britons never will be slaves."
P.S. Haverá mais algum povo que no seu "hino oficial" (God Save the Queen) e no seu "outro hino" (Rule Britannia) rogue pragas aos seus inimigos desejando-lhes desde "políticos confundidos" a "governos de tiranos"?! Admirável! Admirável! Rule Britannia! Rule!
E já agora: quando é que os tão maravilhosos (ou não) e louvados (ou não) e imbatíveis (ou não) Gato Fedorento começam a fazer umas coisinhas fantásticas como esta? Podem começar a aprender tentando chegar aos calcanhares dos Contemporâneos...