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quarta-feira, 20 de maio de 2009

CSI Tuga

Leio, no DN, num artigo sobre o "CSI Tuga", um comentário do director do Laboratório Nacional da Polícia Científica, sobre as séries televisivas inspiradas no universo da investigação criminal (de que o CSI é, talvez, o exemplo mais famoso). Diz ele que "nós [eles lá no laboratório] não somos tão bonitos como eles, mas a principal diferença é a ideia de tempo", não só no que se refere ao tempo dos resultados das análises, mas também no que se refere aos dados a que os investigadores têm acesso: "ninguém acede a tanta informação com um simples toque de botão. Além disso, se qualquer polícia pudesse aceder a informação dessa forma, teríamos um big brother, uma sociedade sem o equilíbrio entre justiça e liberdade".



É curioso. Eu sempre que vejo essas séries televisivas (preferindo o CSI Las Vegas em relação às outras, as quais considero inferiores), à parte das considerações estéticas – que me eximo de comentar por não conhecer a realidade lusitana – penso sempre: bolas! Que bom seria se as nossas policias funcionassem assim! (descontando, claro está, a rapidez com que tudo acontece, coisa normal no universo televisivo). Mas lá está: eu acho mais importante apanhar os criminosos do que garantir supostos direitos da liberdade; é que a liberdade preserva-se e guarda-se impedindo que os dados pessoais caiam nas mãos erradas, sejam usados para fins ilegais, ou sirvam para perseguir os inocentes. Ou seja: a liberdade preserva-se pela via da estrita legalidade. E preserva-se apanhando, julgando e condenando os que infringem a lei. No extremo desta corrente deixaremos de prender os criminosos, porque é uma maçada e um atentado ao seu inalienável direito ao liberdade… Ah, pois é: já o fazemos!...

sábado, 18 de abril de 2009

O luto continua

A Assembleia da República aprovou vários diplomas onde constam coisas tão insignificantes como a possibilidade de buscas domiciliárias sem mandato (vi aqui), a perseguição de contribuintes (sob a capa do combate à evasão fiscal e à corrupção transforma-se o nosso já kafkiano Estado no pior pesadelo de Kafka!), ou o sempre peregrino "imposto sobre fortunas" - a Esquerda com o seu habitual conjunto de traumas psicanalíticos ainda tem o pensamento condicionado pelo marxismo e a sua noção de riqueza estática, ou seja, a riqueza como um bolo bem ou mal distribuído (portanto, quem for rico é porque roubou/explorou/extorquiu quem é pobre ou menos abonado, constituindo a riqueza, em última análise, um crime de lesa sociedade). E isto, num mundo globalizado e com a economia fortemente virtualizada (a actual crise não é senão o sintoma mais evidente) é tão mais grave, quanto já sabemos o resultado prático da coisa: mais pobreza e mais miséria, afinal a grande obra de sempre dos sociais-marxismos-comunismos por todo o mundo!


O que mais inquieta é que isto começa a fazer lembrar a boutade atribuída ao (infelizmente) sempre omnipresente Otelo Saraiva de Carvalho (se não tiver sido ele o autor que me perdoe por lhe aumentar o já extenso rol de alarvidades ditas e praticadas!): conta-se que nos idos anos "quentes e revolucionários" (quando em França se falava de Portugal como "um manicómio em auto-gestão", o que é bastante… imagético!), estando Otelo (ou outra qualquer personagem da shakespeariana trama da revolução à portuguesa, repito) de visita à social-democrata Suécia terá exclamado com orgulho: - "Em Portugal já quase acabámos com os ricos!". Ao que o governante indígena lhe terá retorquido: -" Ah, sim? Nós por cá já quase acabámos com os pobres…"




Si non è vero, è bene trovato!




©Imagem aqui.