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terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Te extraño

Te extraño
Como se extraño las noches sin estrellas
Como se extrañan las mañanas bellas
No estar contigo, por dios que me hace daño

Te extraño
Cuando camino, cuando lloro, cuando río
Cuando el sol brilla, cuando hace mucho frío
Porque te siento como algo muy mío

Te extraño
Como los arboles extrañan el otoño
En esas noches que no concilio el sueño
No te imaginas amor, como te extraño.

Te extraño en cada paso que siento solitario
Cada momento que estoy viviendo a diario
Estoy muriendo amor porque te extraño

Te extraño
Cuando la aurora comienza a dar colores
Con tus virtudes, con todos tus errores
Por lo que quieras no se, pero te extraño
Te extraño, te extraño.

Armando Manzanero


08. Te Extraño -Diego El Cigala-.mp3 -

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Se me comovesse o amor

Se me comovesse o amor como me comove
a morte dos que amei, eu viveria feliz. Observo
as figueiras, a sombra dos muros, o jasmineiro
em que ficou gravada a tua mão, e deixo o dia

caminhar por entre veredas, caminhos perto do rio.
Se me comovessem os teus passos entre os outros,
os que se perdem nas ruas, os que abandonam
a casa e seguem o seu destino, eu saberia reconhecer

o sinal que ninguém encontra, o medo que ninguém
comove. Vejo-te regressar do deserto, atravessar
os templos, iluminar as varandas, chegar tarde.

Por isso não me procures, não me encontres,
não me deixes, não me conheças. Dá-me apenas
o pão, a palavra, as coisas possíveis. De longe.


Francisco José Viegas

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

Quase

Às vezes quase me convenço de que não te amo. Quase consigo acreditar que não és tu o meu chão. E o meu céu. E o motor do meu coração. Quase chego a crer ter-te deixado num apeadeiro qualquer, um daqueles que havia dantes nas bordas dos caminhos, com miradouros e árvores e fontes frescas… A deixar-te, que seja num paraíso, e nunca no deserto, meu amor. Porque continuas a fazer-me sorrir. E só contigo rio. Porque continuas a fazer-me chorar baixinho, primeiro, alto, depois, até a vergonha de me ouvir em pranto desafinado me calar a baba. E só contigo choro. Porque continuas a deitar-te comigo e a levantar-te comigo, e a habitares os meus sonhos, por dentro. Quase consigo acreditar que te deixei. E depois o teu cheiro vem acordar-me do delírio e apontar-me o dedo. E prosto-me por ter – sequer – ousado duvidar de mim, e peço perdão pelo pecado de quase acreditar que não te amo. E lavo-me, purifico-me, rolo-me no chão em entrega abençoada para que me seja esquecida a falta. Que alguma coisa se possa apagar nos meus dias!

Nunca deixo de pensar em ti. Constantemente, em todas as línguas, um desvario percorre-me as veias e nunca deixo de te pensar. Enches-me os dias de alegria transbordante, e à noite, antes de dormir, agradeço a felicidade única de ser contigo. Beijo-te as pálpebras, primeiro, a testa e o queixo, depois. E durmo enroscado a ti. E às vezes quase me convenço de que não te amo. Como se me pusesse à prova e quisesse testar a imensidão do meu sentir. Por ti. Sempre por ti. E assim me vou convencendo de que não te amo. De que não te quero, e de que não são os teus beijos e a tua língua que me temperam a pele. Assim me vou convencendo de que sou capaz de te abandonar. Melhor: de que sou capaz de me esquecer de ti. De me esquecer do teu perfume, da tua pele, do teu calor. Das tuas pernas e das tuas mãos. Quase consigo apagar os nossos abraços, a sua marca permanente, como eles, em mim. Quase consigo. Quase.

Tu nunca és demasiado longe.


Amado - Vanessa da Mata