sábado, 13 de dezembro de 2008
sexta-feira, 12 de dezembro de 2008
Da ordem
Olho para os tumultos e a arruaça na Grécia e penso: "é por estas e por outras que eu nunca seria ou serei de esquerda". É mesmo uma impossibilidade visceral. Não consigo achar minimamente justo, sequer aceitável, uma situação como aquela. Aprecio a ordem, a calma pública, a acção seguradora da polícia (para julgar os possíveis abusos da polícia – parece ter sido esse o gatilho da arruaça – existem os tribunais, que é para isso que servem). Acredito mesmo que um dos principais pilares de qualquer Estado de Direito (senão o principal) é a segurança interna, a segurança pública, a segurança de pessoas e bens. Agrada-me a velha ideia liberal oitocentista que metaforizava o Estado no guarda-nocturno. É uma imagem que me sossega, que me pacifica, que me acalma. Talvez isto seja influência de, em tempos de faculdade, ter lido o Leviathan de Thomas Hobbes. Talvez. Mas acho que uma qualquer sociedade, só o é, se sentir segurança. Se se sentir segura. Daí que as questões de segurança interna e justiça sempre me captem a atenção. Daí que não consiga perceber as célebres concepções de esquerda da desculpabilização do criminoso, o qual nunca, mas mesmo nunca, tem culpa dos seus actos: ele só mata, ele só rouba, ele só viola porque a) também lho fizeram a ele; b) é uma vítima da sociedade; c) é pobre; d) tem traumas de infância; e) o raio que os parta! Fico fora de mim quando oiço alarvidades destas, afinal: porque raio há-de alguém ser morto só porque outrem se sente muito injustiçado? Essas balelas (e já nem falo nas psicologices do arco da velha), quando muito, servem para explicar – em certos casos, muito restritos, onde é possível aferir o encadeamento dos factos, e, vá lá, já com muito boa vontade – a raiz do comportamento criminoso, nunca para desculpabilizar. Explicar não é, nem nunca foi, desculpabilizar.E não sou de esquerda porque acho que o protesto, sendo livre, tem limites. Nomeadamente a vida dos outros. A vida e os seus bens. A partir da primeira pedra arremessada, a partir do primeiro vidro partido, a partir do primeiro risco feito no bem de outrem ou no bem público, podem contar comigo como um firme opositor. Esteja o que estiver em causa! Por muito justa que possa ser a causa, a partir do momento em que há arruaça (ou pior, a partir do momento em que há mortos, coisa muito comum nas guerrilhas e nos sempre auto-proclamados movimentos de libertação) fico fora de mim. Renego e abomino todos os Maios - tão cantados pela esquerda – que por aí vão havendo. Faz-me confusão o estado de sítio, a anarquia, o reino do puro mal e de toda a violência possível. Não percebo como é que partir montras, saquear lojas, ou incendiar automóveis há-de ser uma forma de protesto contra alguma coisa. Se quiserem partam as suas próprias coisas, é simples! Incendeiam os seus automóveis e protestam contra a América. Partem os vidros das suas casas e protestam contra o desemprego (acho sempre curioso um protesto contra uma negatividade, uma ausência). Aí, não tenho nada a ver com isso. Agora, mal pegam numa pedra da calçada, da calçada que também é minha, estão a violar os meus direitos, estão a agredir-me. E quero justiça! Aquilo que se passa na Grécia (e que costumamos ver nos famosos "protestos anti-globalização", vulgo arruaça e anarquia da esquerda globalizada, pouco lavada, e com uma forte tendência para a ladroagem) é pura arruaça. E é nestes momentos que me apetece gritar com Sarkozy que esta gente não passa de racaille! Ou em bom português, não passa de escumalha! Oiço que são estudantes, muitos deles universitários… é que é coisa que nem sequer consigo conceber. Gente que faz isto, gente que se diverte a destruir a vida dos próximos não se chama estudante, não sabe nada, nem sequer algum dia vislumbrou a doce Atena nem numa manhã de nevoeiro: normalmente chama-se "criminoso", ou até, "terrorista". E o que é mais interessante é que, defendendo as supostas ideologias comunitaristas, socializantes e colectivistas (e todas as aspas do mundo eram poucas para ironizar a este respeito), esta gente diverte-se a destruir o sócios, a comunidade, a polis. Logo, são eles o rosto do puro egoísmo interesseiro. O rosto da destruição e da maldade. O rosto da guerra, pois então. Prendam-se e julguem-se! Que respondam pelos seus actos. E que alguém lhes possa ensinar o significado de palavras tais como "liberdade", "democracia", "outro", "respeito"…
quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
quarta-feira, 10 de dezembro de 2008
Os gestos
Há horas em que fico exaurido, exausto, vazio. Nada tenho para dizer. Nada tenho para te dizer.São os momentos em que me recosto e fico – simplesmente – a olhar-te. A admirar-te. Toda a beleza do mundo está nos teus gestos. E nesse silêncio amo-te mais do que nunca. Do que sempre.
E assim fico, todo vindo de ti, num frenesim de sensualidade e quietude. Simplesmente a adorar-te. Mais nada.
terça-feira, 9 de dezembro de 2008
Nuas e impuras
segunda-feira, 8 de dezembro de 2008
Ah valentes!
Estou fascinado por esta colecção, Portuguesas Com História, de Anabela Natário. Só tendo ainda recebido o primeiro volume (referente ao período compreendido entre os séculos X a XIII), ando a contar os dias para que chegue o próximo. Escrito de maneira inteligente e acessível, intrigante e apaixonante, pelas suas páginas vão desfilando as mulheres que fizeram a história portuguesa, desde o alvor da portugalidade (com Mumadona Dias, fundadora de Guimarães) até à actualidade (embora para lá chegar ainda me faltem 5 volumes). É assim uma história do silêncio, ou melhor, do muito que a História tem silenciado; a saber: o papel decisivo das mulheres, da mulher, na formação e consolidação da nossa cultura e da nossa nação. Mas sem feminismos anacrónicos como é voga ver-se e usar-se por estas bravas terras. É, nesse sentido, também uma desconstrução do feminismo, pelo menos do feminismo de importação-de-trazer-por-casa, de origens francófonas e que muito deve a Beauvoir & Companhias. Uma pérola, pois!Com um ritmo narrativo rápido e sedutor, Anabela Natário leva-nos a questionar os mitos fundadores de grande parte desse mesmo feminismo, na maior parte das vezes, ou fruto de simples importação sem atenção à idiossincrasia nacional (ou pelo menos peninsular, vá lá!), ou simplesmente fruto de análises histórico-sociais precipitadas, normalmente elitistas e urbanas, que tomando a nuvem por Juno, elaboram extrapolações sobre a condição feminina em Portugal ao longo dos tempos sem qualquer contacto com a realidade. Esse será, de resto, um problema comum nas ditas ciências sociais e humanas, ou, como prefiro chamar-lhes renunciando à obsessão cientista, no campo das humanidades e das artes – quase todas as teorias sociais, históricas, económicas, filosóficas, etc, foram importadas (sticto senso) sem qualquer atenção às (muitas) particularidades da realidade nacional, gerando um mundo de equívocos e lugares comuns que, colados a uma realidade diferente daquela para a qual foram elaborados, nunca se livram de causar uma certa estranheza. E incómodo. Ora, num país onde nunca terá havido "camponeses e operários" para justificar certas revoluções e afins, pelo menos camponeses e operários que encaixem nas restritas definições deles dadas na Inglaterra da Revolução Industrial, não admira que também no que concerne ao feminismo o mesmo tenha acontecido. Assim, neste livro (e presumo que nos volumes seguintes o mesmo aconteça) encontramos várias mulheres que, contra todas as nossas expectativas (minadas pelas noções que a cultura simplesmente estrangeirada nos deu), foram não só decisivas na evolução histórica portuguesa, como ibérica e até europeia. Estranha coisa, quando nos bancos das nossas escolas e universidades ainda é comum falar-se da simples submissão feminina ao poder masculino.
O que aqui encontramos é a desconstrução de um certo falocentrismo do feminismo, ou seja, a estranha obsessão (diria que freudiana) do feminismo se definir como oposição ao falo, ao mundo masculino, ao machismo. Encontramos neste primeiro volume uma sociedade onde ambos os sexos, homens e mulheres, são "escravos" das razões de Estado – relembre-se que estamos ao nível da história das elites e não da história do povo comum, essa, porventura, muito mais igualitária do que as elites o possam pensar -, por igual, sem se poder encontrar a subjugação de umas pelos outros. Muito pelo contrário: a vida das nossas damas e infantas revela que, para além do poder económico, muitas delas detiveram, usaram e deleitaram-se com o poder militar, político e cultural, jogando no grande tabuleiro da história europeia, enredando-se nos seus segredos, e fazendo, não poucas vezes, xeque-mate! E ao contrário do que se possa pensar, mesmo os mais avisados sobre isto, não foi apenas através do poder sensual, ou mais cruamente, através do sexo. Não! O poder que estas mulheres tiveram rivalizou com o dos homens, seus irmãos, seus pais, seus maridos, seus amantes, seus filhos. Detentoras de exércitos, de bens avultados, de liberdade de movimentos, nunca hesitaram em defender os seus interesses e os dos que protegiam e amavam (quem sabia que, quando lemos nos livros que determinada rainha ou infanta se recolheu a um convento, isso não significa que tenha professado, muito pelo contrário: na maioria das vezes essa é uma medida de autonomia - afastam-se da exposição pública ganhando liberdade de movimentos, para além de levarem uma corte pessoal - e de protecção, mantendo elas o controlo sobre todos os seus bens e rendas, e deles dispondo a seu bel-prazer, inclusive contra a vontade de alguns monarcas?).
Para mim que desde tenra idade considerava a Idade Média como uma época chata e aborrecida, onde apenas havia feudalismo e guerras religiosas, é interessante e surpreendente verificar que a Idade Média precedeu em grande medida, não o Renascimento, mas a Idade Contemporânea! Em certa medida arriscaria dizer que o que esta obra nos mostra é que a verdadeira Idade das Trevas veio sim, por certa via, curiosamente, com a Idade Moderna. Desde uniões de facto a conceitos muito muito muito alargados de família, passando pela promoção da música e da leitura, até ao constante confronto com o poder clerical, de tudo encontraremos nesses tempos recuados. Para quem foi descrita na história apenas como filha, esposa e mãe submissa, é de convir que o perfil de mulher independente e poderosa é, à partida, uma surpresa. Delicioso! Cá nos encontraremos para seguir esta saga!
domingo, 7 de dezembro de 2008
La barca
Dicen que la distancia es el olvidoPero yo no concibo esta razón
Porque yo seguiré siendo el cautivo
De los caprichos de tu corazón
Supiste esclarecer mis pensamientos
Me diste la verdad que yo soñé
Ahuyentaste de mí los sufrimientos
En la primera noche que te amé
Hoy mi playa se viste de amargura
Porque tu barca tiene que partir
A cruzar otros mares de locura
Cuida que no naufrague tu vivir
Cuando la luz del sol se esté apagando
Y te sientas cansada de vagar
Piensa que yo por ti estaré esperando
Hasta que tú decidas regresar
Roberto Cantoral . Caetano Veloso



