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domingo, 17 de maio de 2009

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Pai, nas Tuas mãos entrego meu espírito. (Lucas 23: 46)






quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Dis, quand reviendras-tu?

Voilà combien de jours, voilà combien de nuits,
Voilà combien de temps que tu es reparti,
Tu m'as dit cette fois, c'est le dernier voyage,
Pour nos cœurs déchirés, c'est le dernier naufrage,
Au printemps, tu verras, je serai de retour,
Le printemps, c'est joli pour se parler d'amour,
Nous irons voir ensemble les jardins refleuris,
Et déambulerons dans les rues de Paris,

Dis, quand reviendras-tu,
Dis, au moins le sais-tu,
Que tout le temps qui passe,
Ne se rattrape guère,
Que tout le temps perdu,
Ne se rattrape plus,

Le printemps s'est enfui depuis longtemps déjà,
Craquent les feuilles mortes, brûlent les feux de bois,
A voir Paris si beau dans cette fin d'automne,
Soudain je m'alanguis, je rêve, je frissonne,
Je tangue, je chavire, et comme la rengaine,
Je vais, je viens, je vire, je me tourne, je me traîne,
Ton image me hante, je te parle tout bas,
Et j'ai le mal d'amour, et j'ai le mal de toi,

Dis, quand reviendras-tu,
Dis, au moins le sais-tu,
Que tout le temps qui passe,
Ne se rattrape guère,
Que tout le temps perdu,
Ne se rattrape plus,

J'ai beau t'aimer encore, j'ai beau t'aimer toujours,
J'ai beau n'aimer que toi, j'ai beau t'aimer d'amour,

Si tu ne comprends pas qu'il te faut revenir,
Je ferai de nous deux mes plus beaux souvenirs,
Je reprendrai la route, le monde m'émerveille,
J'irai me réchauffer à un autre soleil,
Je ne suis pas de celles qui meurent de chagrin,
Je n'ai pas la vertu des femmes de marins,

Dis, quand reviendras-tu,
Dis, au moins le sais-tu,
Que tout le temps qui passe,
Ne se rattrape guère,
Que tout le temps perdu,
Ne se rattrape plus...



quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Ámen

Neste primeiro dia do Ano da Graça do Senhor de 2009, já quase quase a acabar, apetece-me voar! Apetece-me piscar o olho ao amanhã e sorrir à vida, como há meia dúzia de anos (nada de piaduxas parvas!!!)! Apetece-me olhar o mundo com olhos de menino e deslumbrar-me com a beleza! Apetece-me inventar e sonhar e mergulhar! Apetece-me ter ossos de cristal e não me importar!... Apetece-me rir, e gargalhar, e roncar, e saltar, e pular, e estardalhar (haverá este verbo?)! Apetece-me entrar na dança e deixar-me ir... Apetece-me deixar-me levar! Apetece-me tudo... e pronto!

(e tudo pontuado a reticências e pontos de exclamação!... Ah pois é!!!...)

Como há meia dúzia de anos!...

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Vinda II

De carne e de seda brotarão rosas em chamas
da tua pele de lava incandescente.
E as minhas mãos desenharão um sorriso
na tua boca toda de cerejas.


Juntos caminharemos sobre o mar e
com as minhas mãos te ungirei
- Bem da criação das aves que cantam,
sagrado o tempo habitado em ti.


Vem
eu te salvarei!



domingo, 30 de novembro de 2008

Vindas (variação em lá Maior)





Hoje sou carnívoro, quero o teu corpo .
Quero o teu cheiro e o teu suor,
abrir-te com beijos, prender-te as mãos
submeter-te ao meu cio. Sem merdas.
Não me venhas com as metafísicas
mais os medos e os fantasmas.


(Nem sequer fales.)


Hoje sou o teu corpo, quero a tua carne.
Quero os teus gemidos e o teu fôlego,
os teus dedos a arranharem-me as costas
e os meus dentes a tatuarem-te a pele.
Hoje sou carnívoro e tu a minha presa.
Mais nada.


______________________________________




Amanhã, sim, quero-te por inteiro.
Vem, juntos combateremos as sombras.
Não mais as aves deixarão de voar.




quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Vinda I


Vou ser o sol que te recebe nos braços
vou ser a luz que te guia,
teu porto de abrigo
tua conquista e teu assombro


gladiador de feras e a própria fera
domarei todos os teus medos
espantarei todos os teus fantasmas.
serei o teu chão e as tuas asas
serei a vertigem e o fogo da manhã.


vem, encosta a cabeça e repousa
no meu peito todo de penas


sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Desejo

Chegados a esta altura do ano começam os queixumes e as lamúrias. Ora é porque chove, ora é porque as noites começam a ser frias, ora é porque os dias são mais pequenos, tudo serve de pretexto para as gentes lançarem os seus ais para o ar (e se há coisa da qual as gentes em geral gostam - e as portuguesas em particular - é de lançar ais, de queixar-se, de lamuriar-se, e então se for sobre o tempo… é o delírio! Nunca as estações estarão certas para este povo…).

Talvez por trauma infantil, mas daqueles bons, daqueles que nos fazem sorrir enlevados (que é como quem diz aparvalhados) quando pensamos neles, eu gosto desta época do ano. E gosto porque, ao contrário dos que se deprimem com o primeiro amarelecer das folhas, com a sua primeira queda, com a partida das aves, eu sorrio ao começo. Melhor: ao recomeço. E estes dias são para mim sempre cheios de esperança, sempre prenhes de tempo porque me trazem o bater do coração do antigo regresso às aulas. A excitação do regresso. O cheiro dos novos cadernos e dos novos livros. A expectativa quanto às aprendizagens que hão-de vir e ser em mim. A expectativa quanto às aventuras e às novidades. Sempre como a primeira vez. Como da primeira vez. Desde os meus seis anos (ano fatídico em que revivi o calvário a caminho da escola a cem metros de casa…) e até há bem pouco tempo assim foi. E por isso, na minha cabeça, mais ou menos inconscientemente, este é o tempo do recomeço, do renascimento, da nova etapa. Do novo. Este é o tempo da minha passagem de ano. O tempo das promessas. O tempo dos desejos. Do desejo.

Por isso, sorrio às cores quentes que já cobrem os campos. Sorrio ao arrefecimento das noites e deslumbro-me com o cheiro dos primeiros abafos rebuscados no armário. Sorrio ao calor deste já sol de inverno. Sorrio à esperança que os ciclos e a sua renovação regular suscitam. Sorrio ao salto das poças. Sorrio ao sabor a mosto da terra e à névoa que as borralheiras espalham sobre a terra. Sorrio aos primeiros assadores de castanhas, aos magustos e às suas gargalhadas. Sorrio às mãos mascarradas e às correrias. Sorrio às folhas secas por entre as páginas dos livros. Sorrio às aves que partem, porque sei que vão voltar. Sorrio à luz que esmorece, porque não há trevas sem aurora. Sorrio à morte, porque é dela e do seu mistério que nasce a vida. Sorrio à esperança, porque nunca me deixou ficar mal. E sorrio ao que vem, porque é sempre bom. E há-de ser!

Por isso vou. E deixo vir…