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quinta-feira, 3 de setembro de 2009

...

...Apesar de tudo. E por tudo. Nunca. Nunca o farei. Agora deita aqui e descansa. Nunca o farei, já disse (mesmo que quisesse não conseguiria...). Nunca!


E sempre. Sempre o farei. Sempre, já disse (mesmo que não o quisesse não conseguiria...).

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Odisseia


Gil,


You know I love you. I feel I've loved you forever.

Lately I haven't been feeling very well. Truth be told, I'm tired.

Out in the desert, under that car that night, I realized something and I haven't been able to shake it.

Since my father died, I spent almost my entire life with ghosts. We've been like close friends and out there in the desert, it occurred to me, that it was time for me to bury them. I can't do that here.

I'm so sorry.

No matter how hard I try to fight it off, I'm left with a feeling that, I have to go. I have no idea where I'm going, but I know I have to do this. If I don't, I'm afraid I'll self-destruct, and worse, you'll be there to see it happen. Be safe.

Know that I tried very hard to stay. Know that you are my one and only. I will miss you with every beat of my heart. Our life together was the only home I've ever really had. I wouldn't trade it for anything.

I love you...I always will.



Goodbye.





"Sara Sidle goodbye letter to Grissom", CSI Las Vegas, Season 8, "Goodbye and good luck".







terça-feira, 7 de julho de 2009

Cosmia

when you ate I saw your eyelashes
saw them shake like wind on rushes
in the corn field when she called me
moths surround me - thought they'd drown me

and I miss your precious heart...

dried rose petal, red-brown circles
framed your eyes and stained your knuckles

and all those lonely nights down by the river
brought me bread and water (water, in)
but though I tried so hard, my little darling
I couldn't keep the night from coming in

and all those lonely nights down by the river
I was brought my bread and water by the kith and the kin
now in the quiet hour when I am sleepin'
I cannot keep the night from comin' in

why've you gone away, gone away again?
I'll sleep through the rest of my days
if you've gone away again

sleep through the rest of my days...

why've you gone away, away?
seven suns, seven suns
away, away, away, away

can you hear me? will you listen?
don't come near me, don't go missing
in the lissome light of evening
help me, Cosmia, I'm grieving

beneath the porch light, we've all been circling
beat our dust hearts, singe our flour wings
but in the corner, something is happening!
wild Cosmia, what have you seen?

water were your limbs, and the fire was your hair
and then the moonlight caught your eye
and you rose through the air
well, if you've seen true light, then this is my prayer:
will you call me when you get there?

and I miss your precious heart
and miss, and miss, and miss
and miss, and miss, and miss
and miss, and miss your heart
but release your precious heart
to its feast, for precious hearts



Joanna Newsom



domingo, 5 de julho de 2009

segunda-feira, 27 de abril de 2009

Ponto de fuga



É curioso como não me lembro de contigo me ter cruzado no atalho que segui. Não me lembro de te ter vislumbrado na vereda do caminho. E, no entanto, eu caminhei para ti. E tu caminhaste para mim.



Bolas! Estamos no ponto de fuga um do outro. Que havemos de fazer?









© Ana Silva

domingo, 7 de dezembro de 2008

La barca

Dicen que la distancia es el olvido
Pero yo no concibo esta razón
Porque yo seguiré siendo el cautivo
De los caprichos de tu corazón

Supiste esclarecer mis pensamientos
Me diste la verdad que yo soñé
Ahuyentaste de mí los sufrimientos
En la primera noche que te amé

Hoy mi playa se viste de amargura
Porque tu barca tiene que partir
A cruzar otros mares de locura
Cuida que no naufrague tu vivir

Cuando la luz del sol se esté apagando
Y te sientas cansada de vagar
Piensa que yo por ti estaré esperando
Hasta que tú decidas regresar

Roberto Cantoral . Caetano Veloso


La Barca - Caetano Veloso

domingo, 7 de setembro de 2008

II - Esquinas

Há horas em que julgo nunca ter saído daquela esquina. Lá estou eu, a ver-te-partir, correndo sobre a passadeira húmida, fugindo da chuva que começava a cair. Pessoas apressadas, autocarros abarrotados, carros deslizantes, crianças berrantes, mais pessoas apressadas, e carros, e autocarros, e mais crianças, e reflexos no chão já bastante molhado, e eu ali, parado ali, a ver-te-partir, aconchegando com os olhos cada um dos teus passos rápidos e decididos. Ali imóvel e absorto à chuva, bebendo em grandes tragos cada um dos teus gestos, ali, a ver-te-partir naquele autocarro – terá sido na mesma esquina? – naquela tarde quente e luminosa, os dedos a saberem a sal, a boca seca, entreaberta, tu a acenares, a mão suspensa num raio de luz, os dedos imóveis, e os meus a saberem a sal, a ver-te-partir, sem remorsos, sem hesitações, sem lamentos, os meus olhos agrafados aos teus agrafados aos meus. Eu naquela esquina aparvalhado, extasiado, aturdido, de chapéu a pingar a ver-te correr e dobrar a esquina – outra, ou a mesma? – a chuva a cair sobre mim que te vejo partir, dentro de mim que te vejo partir (“- Não te molhes, meu amor!”), naquela esquina ou na outra – haverão duas ou mais? Meus olhos a ver-te-partir, sem pestanejar, os carros a apitarem naquela tarde ensolarada (“- Boa viagem, meu amor!”), os nossos olhos agarrados num abraço, sem pestanejar, naquela hora do fim da tarde, os gestos todos de mármore, o mundo suspenso, o tempo parado...


Há horas em que sou o cais a ver-te-partir para o outro lado do mar, ufano e majestoso como um transatlântico em viagem inaugural vestido de luz e festa, e eu quedo e mudo, batido pelas vagas soltas do teu sulco nas águas, resplandecente sobre a luz da tarde, a imensa bruma a cobrir a terra verde, um cheiro a algas e sal que enjoa, e tu a partires, âncora içada, velas alvas a bailar ao vento, o oceano todo de veludo e prata.


Há horas em que sou um lenço branco a flutuar na brisa, a maresia húmida colada à pele, a gaivota que te acena no requebro de uma onda, o vento que sopra as tuas velas, a mão que separa e acalma as águas à tua passagem, a chuva que te beija o rosto, o sol que te lambe.


A ver-te-partir parto sempre contigo, meu amor. E deixo-me ali naquela esquina, imóvel, os olhos marejados de sal, naquela esquina daquele cais ( muitas esquinas nos contam, meu amor ), naquela beira-mar deserta, a ver-nos-partir. Ao ver-te-partir parto sempre contigo, meu amor. E nunca mais volto. Nada há a que voltar.


(Tudo o que amo parte contigo, meu amor. Tudo o que amo parte contigo, meu amor. Tudo o que amo parte contigo, meu amor. Tudo o que amo parte contigo, meu amor. Tudo o que amo parte contigo, meu amor. Tudo o que amo parte contigo, meu amor. Tudo o que amo parte contigo, meu amor.)


Tudo o que amo parte contigo, meu amor, naquelas horas em que fico a ver-te-partir. Tudo. E se um dia quisesse(s) voltar àquelas esquinas – haverão duas ou mais? - às nossas esquinas, nada mais lá seria encontrado do que uma esquina igual a tantas outras, um cais todo vazio, as pedras todas negras da memória, um marejar longínquo de ossos, sem carne e sem músculos e sem pele e sem cheiro. Um cais todo oco, um céu sem asas, um mar sem ondas, um oceano sem azul. Porque o que nunca te disse


- e há horas em que te digo, baixinho, às vezes sem voz, em surdina, ao teu ouvido enquanto dormes, enquanto me vejo a ver-te-partir nos sonhos –


é que sempre que te vi partir, sempre que te vejo partir, parto eu também, zarpo eu de mim, o olhar preso ao teu como naquela esquina, um aceno imóvel, sem começo remorsos ou lágrimas. Amar_ro-me a ti. Amarro-me a ti. Amarro-me a ti e vou. Sem destino rota carta de mareação ou bússola. Vou agarrado a ti, vou, a ver-te-partir, vou, com os olhos lavados no azul, as mãos douradas apertadas com tanta força que fazem doer, as pernas entrelaçadas em nós de marinheiro, o coração todo cosido ao teu com linha grossa escarlate, a pele toda bordada a madrepérola e corais. Vou e sigo-te a ver-te-partir. Vou contigo. Tudo o que amo parte contigo, meu amor.


E assim te amo. Assim te embrulho em papeis coloridos e purpurinas e fogos e fitas e sedas e incensos e silêncios. Assim te guardo. Em mim. Assim te guardo enquanto dormes, vigilante enquanto sonhas, o corpo todo embrulhado no teu embrulhado no teu - a ver-te-dormir. Assim te amo. Assim te conto o meu amor – meu amor – sem palavras, diariamente, a toda a hora de todas as horas,


“- Boa viagem, meu amor!


os silêncios todos cheios de ti. Assim te amo. Assim te transporto em mim. Assim estou sempre contigo. Sempre. E é tanto tempo que até eriça os cabelos e arrepia a pele e gela as mãos e seca a boca e aperta o ventre e dispara o coração. Sempre. Sem começo nem fim (haverão duas ou mais esquinas, um mito iniciático que possamos cultivar?), sem tempo com as costas todas carregadas de horas. Das horas, as nossas, meu amor! Assim te amo e te conto e te guardo. Meu amor... (sem ponto de exclamação ou maiúsculas ou adjectivos)


João Forji