segunda-feira, 29 de junho de 2009

As asas

Tocou-me uma assombrosa santidade
E senti o agitar das suas asas
Sobre mim. Erguendo-me acima das coisas
Os dedos entrelaçados nos meus
As asas sobre mim agitando-se ao passar
Não sei de nada igual, senão talvez
O vento a esvoaçar entre os pinheiros
Na meia-sombra da lua ausente
Um vento que pressiona
e que não beija
Mas se agita, suave como a luz
Dos raios do crepúsculo nas veredas
Mas isso é pouco nobre e não é santo...
Seus dedos pousaram nos meus em bênção fremente
E por cima o agitar de asas tão sagradas.



Ezra Pound








© Alvin Langdon Coburn, Vortografía de Ezra Pound, 1917

1 comentário:

Daniel Silva (Lobinho) disse...

Ezra Pound... Verdade. Como Walt Whitman ou Edgar Allan Poe ou tantos outros. Muito bom.