quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Eterno Presente

Anda agora aí uma mania, ou melhor, um erro que me deixa absolutamente doido. Eu intitulo-o a “Mania do Eterno Presente”, o que, à partida, soa sempre melhor do que a coisa em si. Passo a explicar-me: já haveis reparado na autêntica epidemia que cavalga nas nossas televisões (e o pior é que não é só lá) de trocar o pretérito pelo presente na primeira pessoa do plural? A malta agora já não adorou, nem comemorou, nem andou, nem visitou nada… continua – eternamente, certamente - a fazê-lo. Daí que diga: “nós fomos ao Porto e adoramos quando visitamos Serralves enquanto comemoramos o nosso primeiro aniversário juntos” (desculpem o exemplo pateta, mas serve para ilustrar o que quero). Tudo isto em vez do – até me parece mais lógico e até soa melhor – “nós fomos ao Porto e adorámos quando visitámos Serralves enquanto comemorámos o nosso primeiro aniversário juntos” (irra, que o exemplo é mesmo mau…repetido soa ainda pior, mas olhem, é o que se arranja…). Mas o que é que deu a este povo para começar a destratar assim a língua?! A influência da pronúncia brasileira não pode explicar tudo… Será que ninguém acha minimamente estranho que todas as suas acções do passado estejam sempre e ainda a acontecer??? Eu sei que em falando de língua portuguesa e maus tratos, somos peritos; mas este dói-me, e sempre que o oiço (ou seja, diariamente) é ver-me a trepar paredes... Fico, como o António Silva nas tardes de Domingo da minha infância, “piúrso”!!!

P.S. Diga-se de passagem que este erro de português talvez seja o sintoma de uma característica da civilização em que vivemos: a obsessão com o presente, com um eterno presente. Desde a cirurgia estética para conseguir tudo o que não seja alguma marca de envelhecimento (e, possivelmente, sabedoria), à ginásio-mania que faz algumas criaturas já parecerem o boneco da Michelin em músculos e brutidade (mas alguém acha que fica bem naquele estado?), culminando no fascínio pelas pseudo-celebridades e pelo seu mundo sempre-em-festa-onde-há-croquetes-grátis?!... Pois… “Piúrso” mesmo!

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